Minha história com o parto natural começa bem do começo: no meu nascimento. Minha mãe sempre contou com tanto orgulho sobre os seus partos, normais e a jato, que não ter um parto normal nunca foi uma possibilidade na minha cabeça. Um dia faço o relato do meu nascimento, ou melhor, minha mãe podia fazê-lo :)
Enfim... acontece que se submeter a uma cirurgia – ou, pior, marcar uma cirurgia – pra ter um bebê nunca entrou na minha cabeça. Mas eu nunca tinha tido argumentos muito favoráveis, além dos relatos da minha mãe e do fato de que a humanidade nasceu de parto normal por milênios a fio. Esses argumentos nunca era suficientes frente às histórias das desgraças que aconteciam em partos normais, e aos mil motivos (médicos ou não) pra se fazer uma cesárea.
Eis que em 2009, em um encontro de estudantes, eu e o Yúri, meu namorado, conhecemos um moço que veio contando que havia ido a uma palestra sobre o parto orgásmico. De cara, nós dois ficamos super curiosos e passamos horas conversando com ele, ouvindo atentamente a todas aquelas informações super novas que ele ouviu: que a posição deitada no parto normal é a pior possível; que a prática obstétrica não é embasada em fatos científicos e, sim, em práticas passadas de mestre pra aprendiz... Essa conversa mudou todas as minhas perspectivas.
Continuei me interessando pelo assunto e discutindo-o sempre que tinha oportunidade, deixando claro pra todo mundo que o meu maior desejo era ter um filho e que ele nasceria de parto normal, não importa se a cesária de não-sei-quem tinha sido um sucesso, que não-sei-quem-mais tinha quase morrido em um parto “normal”...
Enfim, por um feliz acidente, engravidamos no final de 2010. Logo que passou o susto, começamos a nossa busca pelo parto que queríamos. Eu achava que teria que ir pra São Paulo para conseguir ter um parto como os que eu havia tanto ouvido falar. Imagina que em São Carlos, uma cidade onde um único plano de saúde tem controle sobre tudo e todos e que um curso de Medicina tem tanta dificuldade pra se estabelecer, haveria médicos favoráveis ao parto natural? Foi quando passamos na frente de uma casinha simpática, recentemente reformada, com uma faixa na frente, anunciando: Preparação para o Parto Normal e Yoga para Gestantes.
Com 15 semanas tivemos nossa primeira entrevista com a Jamile. Ainda nem sabíamos o sexo do nosso bebezinho. Eu devo ter saído dessa conversa com os olhos brilhando! Eu queria casar com aquela mulher! Hahahahaha
Esperei ansiosamente pelas aulas de Yoga, que começaram quando estávamos com 22 semanas. E participar desse grupo durante a gestação foi essencial! Duas companheiras maravilhosas que estavam nas suas segundas gestações, buscando, cada uma do seu jeitinho, um parto melhor para seu segundo bebê! E nossa querida Camila, que foi muito mais que nossa professora de yoga: foi uma companheira na nossa busca!
Nesta época eu ainda ia à uma médica que não foi escolhida muito conscientemente. O teste deu positivo, eu corri e liguei para a única obstetra que eu já tinha ouvido falar. A primeira consulta foi ótima, ela me tranqüilizou e me disse que tudo ia dar certo. Mas a cada consulta seguinte eu ficava mais aflita com a incerteza de que ela me apoiaria e de imaginar que eu teria que brigar por cada escolha. Nas raras ocasiões que falávamos do parto, o discurso era sempre o mesmo: lógico que vamos TENTAR o parto normal! E eu não me sentia a vontade pra questionar mais.
Por isso, com 28 semanas, tivemos nossa primeira consulta com a Dra. Carla. Sai extremamente feliz daquele consultório, querendo casar com ela também! Hahaha Sabia que com ela teria o parto dos meus sonhos!
Foi nessa consulta também que descobri que a anestesia não era uma possibilidade muito real e que ela era dispensável e ela me mostrou fotos de vários partos hospitalares, em que o anestesia podia ter sido acionado, mas não foi. E eu tive que começar a trabalhar essa ideia, pois eu achava que a anestesia tava inclusa no pacote.
No dia seguinte da consulta, participei da minha primeira reunião do Grupo de Apoio ao Parto Natural e, até o final da gravidez, não perdi nenhuma. Cada relato teve muita importância na minha caminhada, e iam se somando às informações que eu ia buscando.
Bom... a nossa hora foi chegando! Até a 38a. semana o tempo passou rápido, mas essas últimas semanas pareciam uma eternidade. Eu mantinha minha calma e minha convicção no PN, mas continuava trabalhando algumas neuras minhas, por exemplo, de não conseguir me entregar ao processo de corpo e alma. Tinha medo de não conseguir me desligar ou de algum medo desconhecido surgir durante o parto.
Parabéns Kaka, mantendo a tradição de sua mãe, vó, bisavó e tia. Todas tendo os filhos na coragem e na fé.
ResponderExcluirMas, este tipo de parto seu ai, sinceramente, eu não conhecia, mas fico agora sabendo.
Seu filho é uma criança forte e com todos os reflexos e conotação de inteligência bem desenvolvidos. Fiquei feliz.
Beijos no Henrique.
SUA VÓ REGINACELIA
Não sabia do seu blog. Adorei!!! Quando quiser, descrevo como foi ter você e o Pedro. Beijos, mamãe.
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