sábado, 1 de outubro de 2011

Relato de Parto - Parte 2: Chegou o dia!


Durante as últimas semanas da gestação, eu não havia tido muitas contrações de ensaio. Só consegui identificar uma claramente na 37a. ou 38a. semana... Então, quando, justo na quinta feira em que a Camila e a Jamile estariam viajando, comecei a ter contrações com frequência, e fiquei com um medinho do Henrique ter decidido nascer bem neste dia. Era véspera da data provável do parto e eu tinha acordado um pouco amuada. Passei o dia todo tendo contrações irregulares, então continuei fazendo o que tinha pra fazer, mas torcendo pra ele esperar um pouquinho!
Na sexta feira, acordei e a Camila havia me mandado uma mensagem falando que já estava na cidade. Pensei que tivesse sido um falso alarme, pois não tive nenhuma contração durante o dia todo (não que eu tivesse percebido) e estava mais bem disposta. Assim fiquei o dia todo e, a noite, fomos a um bar com uns amigos. Comemos MUITO e ficamos conversando até tarde. Chegamos em casa lá pela 1h30 da manhã, o Yúri super cansado, pois havia acordado as 7h da manhã e tinha tomado umas cervejas. Brincamos que, se o Henrique decidisse nascer nesta madrugada, pegaria o papai de calça curta. E foi dito e feito! Hahahaha
Enquanto estávamos com os nossos amigos, senti o bebê se mexendo bastante, e inclusive doía de vez em quando. Como eu tinha lido que o bebê fica menos ativo quando se aproxima o parto, achava que ele não nasceria em breve.
Chegando em casa, deitamos na cama, umas 2h, e eu senti uma contração super forte. Em alguns minutinhos, senti outra e falei pro Yúri. Ele abriu um sorrisão e falou que seria melhor descansarmos, então. Virei de lado e veio outra, mais forte, que me fez levantar da cama. Definitivamente, estávamos em trabalho de parto!
Yúri ligou pra Camila e ela pediu que contássemos as contrações e sua duração durante os próximos 30 minutos. Fiquei sentada na cama e o Yúri ficou anotando as contrações e terminando de arrumar a minha mala da maternidade. As contrações estavam de 5 em 5 minutos, com duração de 40 segundos, mais ou menos. E eu sabia que isso não era comecinho de TP! Ligamos pra Camila e ela decidiu vir. Ela estava em Indaiatuba!
A partir de então, as contrações começaram a vir cada vez mais fortes e eu fui para o chuveiro. A água era uma delícia, mas o nosso Box minúsculo me dava uma sensação ruim. Sai e tentei variar as posições em cada contração, tentando achar a que eu me sentia melhor e descobri que, pra mim, o melhor era ficar de pé, me curvando sobre algum móvel, na parede ou apoiada no Yúri. Eu achava que, por ter feito Yoga e ter me informado tanto, teria um leque enorme de posições possíveis pra este momento. Mas nenhuma aliviava as dores na lombar, só ficar de pé.
Eu perguntava da Camila para o Yúri toda hora! Não sei quantas vezes ele ligou pra ela, mas como ela estava na estrada, a Jamile veio antes. Que delícia que era a bolsa de sementes quentinha, que tinha um cheirinho que me trazia muitas lembranças boas! Nessa hora eu já estava super concentrada nas contrações. Apesar de poder conversar entre elas, o Yúri e a Jamile não me faziam muitas perguntas e falavam pouco. Além das massagens, da bolsa, dos carinhos, Jamile monitorava os batimentos do bebê e as contrações.
Enfim a Camila chegou e ela e a Jamile ficaram por um tempo (não tenho a mínima ideia de quanto). Neste tempo, praticamente pedi pra elas fazerem um toque (“Se vocês quiserem, podem fazer...” rs) e elas fizeram. Tive que ficar deitada e a contração que tive durante o toque foi a mais dolorida de todas!!! Não imagino como aquelas mulheres que são obrigadas a ficar deitadas durante o TP todo agüentam!
Neste toque, a constatação: estava com 6 para 7 centímetros de dilatação, e eram umas 5h30 da madrugada. Na hora nem pensei em calcular quanto tempo tinha levado até lá e quanto mais levaria, graças aos relatos que tinha ouvido de que essa conta nunca é real. Poderia levar mais horas e horas, assim como poderia evoluir rapidamente para a dilatação total. E ainda bem que foi isso que aconteceu.
Não sei se foi logo em seguida, mas fomos para o banheiro e sentei na bola e o Yúri ficou sentado na minha frente, com uma pilha de travesseiros no colo, onde eu pude me debruçar. Nessa posição, pude descansar entre as contrações e carregar as energias para o expulsivo.
Segundo a Camila, as 6h decidimos ir para a maternidade. Eu queria tanto entrar na banheira! Mas até conseguirmos levantar acampamento e sair de casa, passou uma hora. Quando olhei para fora e o dia estava claro, levei o maior susto. Para mim, ainda era de madrugada.
O caminho para a maternidade foi a pior parte de todo o TP! Eu estava claramente no expulsivo e precisava segurar a força que tomava conta do meu corpo a cada contração. Eu estava ajoelhada no banco do carro, abraçada no apoio de cabeça, e pedia para o Yúri parar o carro a cada contração, que vinham de minuto em minuto.
Chegando na maternidade,  o Yúri foi preencher a papelada e eu fui com a Camila para o quarto. Como ainda não estava tudo certo, ficamos no corredor por um tempo ainda e eu continuava tendo que me concentrar e segurar aquela força que vinha.
Enfim fomos para o quarto e a banheira, que eu tanto queria, ainda não estava cheia de água. Eu falei pra Camila, enquanto ela terminava de arrumar o quarto, que não dava mais para segurar, que eu precisava fazer força. E ela, com muita calma, respondeu: “Não segura então”. Em uma contração eu tirei a roupa, sentei na banqueta e relaxei. Cada contração vinha com uma força absurda, que parecia que me espremiam inteira de cima para baixo.
O Yúri chegou, entregou a máquina fotográfica e o CD do Marcelo Camelo para a enfermeira que estava no quarto, sentou em uma cadeira atrás de mim e me abraçou. Não tenho a mínima ideia de quanto tempo se passou, mas o que ficou na lembrança foi que em uma contração saiu a cabecinha e na outra o corpinho escorregou. A dor neste momento, muito diferente de qualquer coisa que eu já tivesse sentido na vida, era ínfima perto da deliciosa sensação de alivio que sentia a cada contração.
Este é um momento mágico: olhar para baixo e ver seu filhinho, aquele serzinho que você queria conhecer há tanto tempo, que você tentava imaginar como seria, que você idealizava a todo momento, está ali na sua frente! E no segundo seguinte estava no meu colo, com os olhinhos abertos, tão perfeito! Eu era a pessoa mais feliz do mundo!!!

Como estavam presentes só a Camila e as enfermeiras da Santa Casa , a Camila calmamente me disse que elas o pegariam para ver se estava tudo certo. Levaram-no para o bercinho aquecido, junto com o pai, e eu fiquei sentada na banqueta, com um sorriso de orelha a orelha.
Neste momento, entrou no quarto a Dra. Carla. Ela soltou logo um “Aaaaah! Não acredito que já nasceu!!!”, por ter “perdido a festa” como ela disse no relato no seu blog (veja aqui). Depois chegou a pediatra, Dra. Aline, também sem mais tarefas para ela, já que o Apgar já havia sido calculado e o Henrique estava super bem.
Levantei-me, fui para a cama esperar a placenta dequitar, o que foi rapidinho e indolor, e amamentar meu bebezinho. Depois de pouco tempo, mudei de quarto, tomei um banho e podia descansar. Mas a ocitocina era tanta que passei o restante do dia com um sorriso de orelha a orelha, com os olhos grudados no pequenininho que dormia no bercinho ao lado.
E foi aí que nasceu a família que vai ser tema deste blog :)

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